Há muito tempo eu queria voltar a escrever sobre religião, um dos meus assuntos preferidos há um ano atrás. Aliás, continua sendo um dos meus assuntos preferidos para estudo, porém não sou mais tão "aficionado" como tempos atrás. Enfim, acabei de ler uns tópicos na comunidade do Orkut "Eu NÃO acredito em Deus", e uma pergunta me veio à cabeça: Porque diabos a maioria dos ateus insistem em discutir religião com cristãos?
Sou ateu há mais de dois anos e admito que, no começo da minha "conversão", conversava e discutia muito sobre religião com familiares, amigos e até em fóruns na internet. Porém, passado algum tempo, essa necessidade de debate que eu anteriormente sentia começou a diminuir, diminuir, até que desapareceu por completo. Não sinto mais aquela necessidade de mostrar para todos ao meu redor que eu havia abandonado de vez a religião. Acho que todo ateu, por mais centrado que seja agora, no começo de sua conversão sentia essa necessidade de botar para fora tudo que "descobriu", tudo que leu e lhe fez sentido e que pensava que iria converter todas as pessoas ao seu redor e mudar o mundo õ/. Também senti isso, mas sempre fui mais discreto. Debatia pequenas ideias com meus familiares (na verdade meu irmão e meu tiu, que, embora sejam cristãos, aceitam de boa o fato d'eu ser ateu e ambos possuem mente aberta para o assunto), mas sempre pacificamente e racionalmente, sem nenhum exagero, verdades incontestáveis ou diálogos que caiam para argumentos tolos. Sempre apreciei uma discussão saudável deste jeito entre ateus e religiosos, porém, mesmo estas discussões pacíficas eu cansei de fazer. Não acho mais graça e, principalmente, mais razão.
Se você é um religioso e eu um ateu, eu nunca irei converter você, e você nunca irá me converter. Quando eu digo religioso, me refiro aos religiosos mesmo, os que seguem a religião ativamente, vão à igreja, rezam conforme as escrituras mandam e tudo mais. Não como a maioria da população que diz ser cristã, vai na missa uma vez por ano e mesmo assim "não sabe como eu não acredito em Deus". Mas tudo bem, já estou desviando do assunto. Enfim, convictos de nossas "crenças" (sua crença, minha "razão"?), nunca iremos converter um ao outro. O máximo que iremos fazer é gastar nosso tempo, nossa saliva e talvez até o respeito que um tem pelo outro por algum argumento estúpido que alguma das partes possa fazer e o outro acabar se ofendendo. Resumindo, é inútil. É como um gremista e um colorado falando de futebol. Uma discussão irá acontecer, e, mesmo sendo saudável, o resultado será sempre o mesmo: Iremos ter ideias diferentes, iremos debater, porém nada vai mudar. Ambos vão continuar seguindo o que seguem e ponto final.
E estou levando o meu ateísmo do mesmo jeito. Não debato mais religião com ninguém. Não me interessa se você é católico, budista, putaquiparista ou seguidor de alguma outra religião. Realmente não me interessa, não me incomoda e é irrelevante para mim, pois sei que, mesmo que eu consiga lhe converter, nada vai realmente mudar. Considero a religião um câncer de proporções mundiais, não vai ser gastando duas horas convertendo uma pessoa que vai mudar alguma coisa. A única discussão que eu ainda estou aberto a fazer é com outros ateus, debatendo ideias e argumentos para fortalecer ainda mais (não que necessariamente precisemos) o que seguimos. Entretanto, a coisa toooooda começa a mudar quando não há respeito em uma das partes, quando alguém se recusa a aceitar a opinião do outro. Isso nunca aconteceu comigo, talvez uma vez ou outra, mas nada muito grande que mereça ser lembrado. A intolerância religiosa é algo que me repugna, que me deixa p da vida e que eu realmente fico brabo. Você não quer aceitar minha simples opinião mas eu tenho que aceitar você batendo na porta da minha casa no domingo de manhã para falar da sua? Vai te catá!
Assim como eu falei, para mim é indiferente se você tem a sua crença ou não, desde que esteja ciente do limite entre o que deve acreditar para si e o que deve profanar para os outros. O respeito, que tanto reivindicam, deveria ser o seu primeiro ato moral. Mesmo que o seu suposto Deus não tenha nenhum. Não venha pedir minha religião para quando eu responder que não tenho e dizer que sou ateu e você me olhar com uma cara de nojo que eu vou te mandar tomar no cú. Você acredita em uma das maiores mentiras já inventadas pela humanidade (afinal, uma mentira contada mil vezes acaba se tornando verdade), em um homem invisível que está lá em cima olhando para todos nós e que nos ama (porém, irá nos jogar em um reino de chamas por toda a eternidade se respondermos para nossa mamãe), em algo que nunca foi provado cientificamente que existe, e eu mesmo assim convivo com você, aceito sua fé e não lhe faço nada... e você quer me olhar com cara torta quando eu digo não acreditar nisso? Sinto muito, mas isso eu realmente não aceito.
Ou seja, é esta a mensagem que eu estou querendo passar aqui para os ateus. Caso ninguém lhe olhe torto, lhe xingue ou lhe falte o respeito por você ser ateu, deixe quieto. Não discuta, não debata, não entre em conversas desnecessárias. Tudo que o que pode resultar disso é dor de cabeça e uma discussão nada boa com alguém que você até possa gostar. Quando lhe pedirem sua religião, diga que você é ateu. Se lhe disserem "sério?", o que é mais comum, diga "sim". Se lhe pediram o porque (comum também), diga que é o que você decidiu seguir e que não gosta de conversar sobre isso pois pode levar a uma discussão desnecessária. Pronto, tenho certeza que não irão lhe falar nada. Porém, caso lhe faltem com respeito mesmo assim, rebata, não deixe barato. Podemos ser obrigados a conviver com suas crenças bobas, mas não somos obrigados a engolir suas irracionalidades e desrespeitos. Rebata, argumente, neste caso sim crie uma discussão e deixe a pessoa sem respostas e até mesmo envergonhada, para que numa próxima vez ela lembre que é obrigada sim a respeitar a opinião dos outros. Com isso não iremos acabar com as religiões e nem converter a pessoa em questão, mas iremos diminuir, nem que seja um por um, o câncer que é a intolerância religiosa.
Fomos inteligentes e sábios o bastante para procurar a verdade, a razão, o sentido disso tudo, e não apenas engolir o que foi passado por nossos pais e por nossa sociedade. Estudamos, fomos atrás, lemos e pesquisamos muito a respeito para chegar nisto que seguimos. Ninguém sentou e explicou o que era o ateísmo para nós. Tivemos que descobrir por nossas próprias pernas, e temos que ter orgulho disso. Visto isso, inteligentes como fomos para nos desvencilharmos da maior manipulação em massa já criada, seremos burros o suficiente para cair em discussõezinhas fúteis com pessoas que possuem mentes mais fechadas que o cofre de um banco? Eu acho que não. Viva o ateísmo! Viva o conhecimento!
0 comentários:
Postar um comentário